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Colar proteja-me do que eu quero

Atualizado: há 6 dias


Onde escolhemos pôr nossos corações?

Dentre todas as peças que adornam o corpo humano, o colar é aquele que detém maior escopo simbólico e emocional. Ele repousa próximo ao peito, carregado de significados que atravessam os tempos. Não é só o metal precioso ou o brilho eterno da pedra; é o espaço entre o objeto e a pele, o território da intimidade.


Colares podem ser orações sussurradas à beira do peito, promessas guardadas na curva do pescoço. São ecos de amores, de perdas, de crenças que atravessam o tempo, ressoando como pulsações esquecidas. Amuletos que desafiaram desertos, medalhões que guardaram ausências, fios gravados com nomes que recusam o esquecimento.


"Proteja-me do que eu quero", traz um óbvio e atemporal coração, em uma versão reconhecida, mas estranha. Com texturas infinitas que remetem ao bruto, dialogando com a estética orgânica de uma peça esquecida pelo tempo.


Em prata 950, que desafia o corpo a encontrar novas formas de usá-lo. Posicionado na margem da roupa, desloca a noção de centro, exigindo uma nova relação com o corpo que o carrega. Aqui, o coração abandona a retórica romântica e assume o papel de símbolo ambíguo: um objeto que pulsa entre proteção e exposição, entre o que guardamos e o que entregamos.


O colar "proteja-me do que eu quero" é uma peça para quem busca reconfigurar narrativas, para corpos que dialogam com suas próprias contradições, transformando o cotidiano em um palco de escolhas deliberadas.




Referências:


Andrews, C. A. R. Amulets of Ancient Egypt. British Museum Press, 1994.

Taylor, L. Mourning Dress: A Costume and Social History. Routledge, 2009. Tait, H. (ed.) Jewellery through 7000 Years. British Museum Press, 1986.

Warner, M. Signs & Wonders: A Semiotics of Jewelry. Thames & Hudson, 2019.


 
 
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