Colar ostracismo
- Pancália

- 22 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 3 de fev. de 2025

Uma produção em isolamento?
Uma joia composta de três partes, um flerte com o equilíbrio encontrado nas tríades. Um anzol, uma concha e uma pérola. Uma agressão a um corpo corrompido que produz algo tão acetinado que parece não pertencer à matéria.
Independente das crenças e das culturas, das teorias e dos conhecimentos, fossem virgens, hermafroditas, orvalhos ou lágrimas, as pérolas sempre tiveram um poder estranho sobre a nossa percepção. Seja pela interferência humana em dispor desconfortavelmente um pedaço do corpo naquele mesmo corpo ou por algo tão ao acaso como um sedimento qualquer agindo como um cisco no olho, o incômodo é apreciado por produzir algo além do que tínhamos na conservação do conforto?
Tomando distância das narrativas e interrogações mais ancestrais e trazendo para as indagações do nosso tempo, é curiosa a capacidade das pérolas em mitigar corpos ou objetos que não necessariamente portam delicadezas. O colar "ostracismo" apresenta, na maioria das suas estruturas, tormentos.

O anzol, embora curvo, termina em uma ponta aguda, deixando claro ser capaz de perfurar a casca de um corpo: um lembrete de como mesmo a rigidez ainda é passível de ser atravessada. Nisso, nos questionamos do porquê ficamos fascinados perante a fragilidade das nossas defesas. No fim, gostaríamos todos de uma compensação etérea ao que nos dispomos ou somos submetidos a sofrer?
Outra chamada importante é a ação externa, é o olhar do outro ou rasgo que o outro faz, que permite que venha a conhecimento aquilo que estava sendo cultivado internamente. Quebrar as conchas e furar as cascas é, de forma simplista, um caminho para a percepção do que há por dentro. O que produzimos em isolamento são gemas dignas de admiração?
Nada disso é um encorajamento a por-se em risco ou em quebra, mas uma compreensão de que coisa alguma ou alguém pode ser preservado até o fim. E, caso seja possível, há o custo de nunca produzir nada.



